And it feels like home.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Somos péssimos acertadores.

Me erro incessantemente com essa sequência noturna de euforia contida com vazio festeiro.

Cruzei a porta todas as vezes sabendo que mais tarde a cruzaria igual, talvez menos limpa.

Às vezes faço uso da loucura pra encontrar tudo que não quero.

Às vezes faço uso da loucura.

Doze linhas. Iguais as de sempre.

Onde tudo cabe e tudo acerta.

Me erro incessantemente com essa vontade de encontrar doze linhas destras que façam meu sentido tão canhoto e completo quanto você.

Doze lágrimas. Um frio de corpo sem abraço, do amor que não cabe dentro, nem caberia fora.

Não acerta.

Doze lágrimas por linhas partilhando toda vontade e encontro que minha loucura ficaria sã sem procurar.

Somos péssimos acertadores.

Sinto falta dos detalhes que já não consigo lembrar. O tempo levou muitos e a distância mais alguns.

Não foi uma justa separação de bens, gostaria de ter ficado com mais deles.

Sinto falta dos detalhes que já não consigo lembrar.

E me erro incessantemente na esperança de achar uma vida, em doze linhas.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Unique

Procurando entender, ainda que sem saber o que e mesmo que pela não-concreta sensação, a adrenalina embutida nessa necessidade de entrar e fazer parte.
Sem esquecer de fincar antes de sair.
Como um ponto de recordação, um estímulo, que desperta uma ligação já eternizada. Com um próprio número de série.
Gosto da idéia de virar história.
Se é o que instiga a vontade ou é a vontade que instiga. Uma confusão sentimental e barulhenta da bomba que se apaixona sozinha.
Seja por unicidade ou originalidade. Seja ciumenta.
Quero uma porta certa, com número de série. Se não existir ou não puder fabricar, prefiro continuar olhando da janela. Não me importa se é da frente ou dos fundos, só preciso que seja minha.
Um código de barras, chip ou assinatura. E até mesmo que não seja meu, desde que me tenha em parte.
Hoje o sol se despediu e eu esqueci todas as velas. No escuro de fora procuro uma fresta única que convide meu silêncio pra um filme no sofá.
E procuro.
Joguei fora a permissão e devolvi todas as chaves, já não vejo graça em levantar da cama sem ficar pro café.
Ah se eu encontrasse essa singularidade à dois...

Me chamaria pro jantar e eu ficaria a vida toda.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Coração de pedra mole...



Ela: - Será que nunca?


Ele: - Um dia. Nunca é definitivo demais.


Ela: - Mas é uma forte sensação.


Ele: - Somos muito novos.


Ela: - Mas eles já não são.


Ele: - É.


Ela: - Queria ter certeza.


Ele: - Gosto de pensar que sim.


Ela: - Já não gosto de pensar.




terça-feira, 7 de setembro de 2010

A culpa é da bagunça.

Talvez os livros tomados, as conversas bebidas, ou a falta dos cigarros. Essa bagunça diúrna de uma noite em claro.
A culpa é da clareza e da sua nitidez.
Esse vício da sobriedade que minha loucura vem tentando sustentar.
Noite passada te vi em claro, de olhos fechados.
Essa noite, te espero no frio.
Pra que você des-culpe, essa minha bagunça.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Astrologia



Olhei de relance.

Jogaram um peixe na balança.

Um peixe pesado, quase que assustador.

Recheado de responsabilidades.

A balança não parecia ter sido feita pra suportar aquele peso,

muito menos estar preparada pra ele.

Precisamente imatura.

Me aproximei.

O peixe era de fato o mais lindo e macio que eu já tinha visto.

E era nítido que a balança daria o seu melhor para mantê-lo ali, sobre ela.

Sem se quebrar ou deixa-lo cair...


A segunda vista também merece amor.


"Separar" é um verbo que ama estar no gerúndio. Uma transição que tende a eternidade.

Pensei ter vivido uma grande história.

Sorrido junto. Chorado. Compartilhado. Pensei ter vivido.

Pensei ter amado.

E aí descobri que nada "era". Tudo é.

Pensei errado.

Você é minha história. Quase eu por inteira.

Meu melhor pedaço, que agora por fim, se desprendeu.

Nosso fim se estendeu. Pensei que estaria pra sempre "fim-zando" você, mas o português não me deu de presente esse verbo.

E nossa transição parece ter final-mente chegado em algum lugar. Um lugar onde esse amor é inteiro.

Onde não existe um gerúndio que abrace eu e você ao mesmo tempo.

Então, que seja fim. Que seja feliz.

Mas que o nosso verbo continue gritando em todo e qualquer lugar.

E que continue grito. Continue nosso.

Continue sendo.

Vivo.


terça-feira, 27 de julho de 2010

Apego.

De fato, eu ainda não aprendi a lidar.

Quando descobrimos o prazer em fingir ser alguém, em se esforçar para tornar nosso trabalho cada vez mais verdadeiro, limpo, bem feito.

E quanto mais diferente da gente, melhor, maior o desafio, mais nos sentimos 'atuando'.

Quando chega-se lá, é uma delícia, a sensação de gozar do que construímos com nosso corpo, pensamentos. De se tornar íntimo daquele personagem e se misturar nele até que você suma e consiga fazer com ele o que quiser. É muitas vezes melhor que um orgasmo.

Meus personagens foram meus melhores amigos em diversas fases, cada um a seu modo.

Mas em algum momento isso acaba, e em cada fim de trabalho, dá um aperto que é indescritível. É como um pedaço indo embora, alguem que você amou e conviveu durante tanto tempo, e de uma maneira tão intima, tão sua. Tão dentro.

É estranho, pois na maioria das vezes que perguntam, digo que gostaria de fazer muitos personagens, de todos os tipos, os mais variados possíveis, complexos, desafiadores, e muitos deles, durante a vida toda. Então o fim de um ciclo seria o começo de outro pra mim, o que deveria ser motivo de muita comemoração.

E é, claro! Mas quando me deparo com aquele sentimento de despedida, dos amigos que se vão, do figurino, dos objetos, da vida que eu dei pra aquela história, bate uma dor e uma vontade absurda de congelar ali, aproveitar mais daquele trabalho já feito.

Mas ai o elenco se reúne, ri dos bons e maus momentos, cervejas, cigarros, abraços, algumas lágrimas e pronto. Estamos prontos pra começar de novo, com mais histórias pra contar, experiências pra dividir e amigos, alguns sem dúvida, pra vida toda.

A saudade... ela continua. E eventualmente uma lágrima ou outra surge pra ilustrar isso.

Mas somos assim, feitos de momentos.

Alegrias e tristezas. Vidas e despedidas.

Saudades.

E grandes amigos.